Acima do desespero

 

“O SENHOR Deus é a minha fortaleza, e faz os meus pés como os da corça, e me faz andar altaneiramente”. (Hc 3.19)

Revolta e frustração são inimigas da esperança. Juntas, quase levaram o profeta Habacuque ao desespero, a ponto de ele dizer: Até quando, SENHOR, clamarei eu, e tu não me escutarás? Gritar-te-ei: Violência! E não salvarás? Por que me mostras a iniqüidade e me fazes ver a opressão? Pois a destruição e a violência estão diante de mim; há contendas, e o litígio se suscita (Hc 1.2-3). Esses sentimentos são comuns a todos que esperam grandes coisas e recebem, como Habacuque, violência e opressão.

Mas o profeta não permaneceu desolado, porque percebeu que o que lhe faltava era, na verdade, perecível, e, numa hora ou noutra, poderia faltar mesmo. Foi por isso que ele compôs a canção que finaliza o seu livro. Quando olhou para Deus, Habacuque viu a razão da sua alegria e pôde, então, dizer:

Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; o produto da oliveira minta, e os campos não produzam mantimento; as ovelhas sejam arrebatadas do aprisco, e nos currais não haja gado, todavia, eu me alegro no SENHOR, exulto no Deus da minha salvação. O SENHOR Deus é a minha fortaleza, e faz os meus pés como os da corça, e me faz andar altaneiramente. (Hc 3.17-19)

O ano se foi e a “figueira não floresceu”, “não houve fruto na vide”, “o produto da oliveira falhou”, “as ovelhas foram arrebatadas do aprisco” e “não houve gado nos currais”. Quem pode confiar no que pode faltar? Nossa esperança só sobrevive às nossas perdas se estiver depositada no que é infalível, só é renovada quando nos voltamos para Deus, para sua perseverança em nos amar do jeito que somos e em nos transformar em pessoas melhores. É ele que nos faz andar altaneiramente, como cantou o profeta.

 A presença divina conosco é o que temos de mais seguro nesta vida. Se isso não for o motivo da nossa alegria, sempre seremos presas fáceis do desespero.

Blog: Poeira de Ouro

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