Sou um bibliodependente

Em abril de 1939, quando eu tinha 9 anos, ganhei minha primeira Bíblia. A princípio lia-a por cobrança de meu pai. Depois tomei gosto. Mais tarde desenvolvi um método próprio de ler com muito proveito a Palavra de Deus. Valorizo mais a qualidade da leitura do que a quantidade de capítulos lidos. Embora eu gaste bem mais de uma hora cada manhã com esse exercício devocional, leio no máximo um capítulo por dia. Tenho colocado a Palavra de Deus dentro das minhas entranhas pela leitura, meditação, consulta de textos paralelos, memorização (da mensagem e não tanto das palavras) e pela redação de notas e mais notas.* Leio a Bíblia não para preparar sermão nem para escrever. Leio para me alimentar espiritualmente. Mas quase todos os meus sermões, artigos e livros nasceram como consequência natural dessa leitura cuidadosa. A fartura de alimento espiritual é tanta que eu tenho um desejo quase incontido de repartir um pouco do maná celestial com amigos e leitores.

Não posso esconder que minha fé, minha confiança em Deus, minhas convicções, minhas certezas, minha esperança, meu ânimo, meu entusiasmo, minha alegria provêm da leitura devocional da Bíblia. Assim como há dependentes de drogas químicas, eu me considero e me sinto dependente das Escrituras e da oração, para manter minha comunhão com Deus e ter uma vida emocional a mais equilibrada possível.

Naturalmente coloco no mesmo pé de igualdade a prática da oração. Aceito a tese de que pela leitura da Bíblia Deus fala conosco e pela oração nós falamos com Deus. O prêmio desse diálogo é a comunhão com Deus.

A arte de ler a Bíblia e orar regularmente, principais ingredientes de uma vida cristã saudável, é uma preciosa herança da Reforma Protestante. Para uma quantidade enorme de fiéis, esse hábito é uma obrigação. Felizmente, para muitos essa obrigação foi transformada em um delicioso e proveitoso prazer.

Não se lê a Bíblia apenas para se tomar conhecimento da verdade. A verdade sozinha torna-se lei e pode gerar soberba teológica. A Palavra de Deus é leite para acabar com a fome, é alimento para fazer crescer, é lenha para atear fogo, é combustível para pôr em movimento os bons propósitos do coração. A Escritura existe “para que o homem de Deus seja apto e plenamente preparado para toda boa obra” (2Tm 3.17).

Fonte: Ultimato

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