Quem tem ouvidos para ouvir, ouça!

“Qual, dentre vós, é o homem que, possuindo cem ovelhas e perdendo uma delas, não deixa no deserto as noventa e nove e vai em busca da que se perdeu, até encontrá-la?” (Lucas 15:4) (Versão Revista e Corrigida)

“Qual, dentre vós”, estas são as palavras com as quais Jesus inicia a parábola da ovelha perdida.

Um questionamento que parece ter uma resposta simples e automática, mas que com toda certeza ficou engasgada na garganta de fariseus e escribas. Este questionamento confrontou estes homens com suas verdades os fazendo acumular maior aversão a Jesus.

Lucas termina o capítulo 14 colocando sutilmente uma crítica aos fariseus e escribas que sendo doutores da lei não conseguiam ouvir a verdade de Deus e tiveram sua reprimenda na seguinte frase, “quem tem ouvidos para ouvir ouça”. Já no capítulo 15, ele começa dizendo que os pecadores se juntaram ao redor do Mestre para O ouvir.

É interessante, pois Jesus não está nesta hora em uma campanha de cura e libertação, operando grandes milagres e fazendo maravilhas, mas Ele está apenas ensinando. E aquele povo parou para ouvir Jesus. Escutar o que Ele tinha para dizer. Pararam para ouví-Lo porque Seu discurso era de cura para seus corações, diferentemente dos doutores da lei que os viam como irreversíveis pecadores, sem esperança alguma de aproximação com o Deus vivo.

O discurso de Jesus traz esperança àqueles corações que já não tinham esperança, pessoas que eram excluídas da religião muitas vezes sem saber porquê. É diante desta multidão de pecadores e se dirigindo aos fariseus e escribas que Jesus conta esta parábola.

Quando Jesus faz esta pergunta inicial, é claro que já sabia a resposta daqueles homens, mas Ele queria realmente chamar a atenção deles para a graça de Deus. Jesus sabia que a nossa lógica humana e calculista não nos deixaria abandonar noventa e nove ovelhas em detrimento de apenas uma. Isto não é natural, o natural para alguém que teria um rebanho como este, de médio para grande porte, seria colocar esta única ovelha como prejuízo operacional.

A pergunta ao meu coração é se eu também não entraria nesta lógica sem “graça” de escolher o “mal menor”.

Certa vez, fiz esta pergunta em uma aula da Escola Bíblica e a resposta foi “ninguém”. Ninguém em sã consciência deixaria suas noventa e nove ovelhas para ir atrás de uma. Creio que a pergunta de Jesus é para refletirmos se estamos dispostos a abrir mão de tudo por amor a alguém. Será que não estamos calculando as probabilidades para amar ou não, nos doar ou não?  

“Qual dentre vós?” Esta pergunta de Jesus ecoa em nossa alma.

Jesus está procurando discípulos que estejam dispostos a deixar as noventa e nove ovelhas e buscar sem pensar duas vezes a ovelha perdida. E a idéia aqui não é Missões, sair pelo mundo pregando e resgatando as ovelhas perdidas, a idéia é a de humanidade, de entender o real valor de uma vida.

Podemos ser grandes missionários, pregar em muitas nações para muita gente sem realmente entender o verdadeiro sentido de humanidade. Minha inquietude não é pela resposta que os fariseus e escribas teriam dado a esta parábola de Jesus, mas sim, sobre qual seria nossa resposta como igreja de Jesus a esta parábola.

Lembro-me de quando alguns anos atrás recebemos uma pessoa com HIV na igreja. Não precisamos falar nada, a nossa atitude foi a de deixar se perder uma ovelha para manter outras noventa e nove, o mal menor.  

Creio que nossa resposta a esta pergunta de Jesus é um referencial para percebermos o quanto entendemos realmente a mensagem do Reino de Deus. Qual tem sido nossa opção, as noventa e nove, a segurança do abrigo, um relatório gordo, as estatísticas e números ou a única ovelha. Isto não tem nada a ver com desprezar noventa e nove ovelhas, mas sim amar cada uma delas da mesma forma ou amar cada uma delas com o amor de um Deus que não só busca a única ovelha, mas vai além, e se torna ovelha por amor.

Que como igreja de Cristo, possamos responder a esta pequena parábola de Jesus como aqueles que não hesitariam em deixar as noventa e nove ovelhas seguras no abrigo para buscar a única perdida.

Fonte: Instituto Jetro

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