O testemunho cristão em ação

Boas obras são o testemunho cristão na prática

O testemunho cristão mais convincente é o que se dá não somente pelo que dizemos, mas também pelo que somos e pelo que fazemos. “Dar testemunho” de Jesus Cristo não é somente falar dele e do que ele tem feito por nós e em nós. É, na verdade, viver e agir de maneira tal que aqueles que nos rodeiam queiram saber qual é o segredo de nossa vida e, então, as palavras se façam necessárias para explicar o segredo verdadeiro que lhe dá sentido: Cristo em nós. Os ingredientes do testemunho cristão integral são: ser, agir e falar, ou seja, o estilo de vida que reflete valores cristãos, as boas obras por meio das quais se torna evidente que cumprimos nossa vocação de luz do mundo e a palavra que explica por que vivemos como vivemos e fazemos o que fazemos.

Dos três aspectos do testemunho cristão mencionados, o que mais se destaca na missão integral é, sem sombra de dúvida, o da ação em termos de boas obras. Lamentavelmente, este tema é quase sempre relegado nos círculos evangélicos. Uma razão para isso pode ser o fato de a prática das boas obras ter um alto custo, não somente em termos econômicos, mas também, e às vezes muito mais, em termos de dedicação pessoal e compromisso de tempo. Outra razão, talvez de maior peso, é o problema que o teólogo Bonhoeffer chamou de “graça barata”, a graça de Deus que dá tudo de forma gratuita (inclusive a salvação), mas nada exige. O erro está em não reconhecer a enorme diferença que há entre fazer as boas obras em busca de méritos para ganhar a salvação e fazê-las como resultado da salvação operada por Jesus Cristo e recebida gratuitamente mediante a fé, como dom de Deus. Como afirma o apóstolo Paulo, “Pela graça sois salvos! E isto não vem de vós; é dom de Deus, não de obras, para que ninguém se glorie” (Ef 2.5, 8-9). Esta é a mensagem central do apóstolo em várias de suas cartas, especialmente aos Romanos e Gálatas, em que ele contesta o judaísmo. Não podemos alcançar o perdão de Deus mediante obras que nos tornem merecedores de sua aceitação. Assim toda vanglória é totalmente excluída.

Entretanto, esse é somente um lado da moeda. O outro lado é o que o próprio apóstolo diz: “Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas” (Ef 2.10). Por seu amor imerecido, mediante a fé em Jesus Cristo, somos salvos, não por obras, mas para boas obras. A troca da preposição por, que indica causa, pela preposição para, que indica propósito, é absolutamente essencial nessa passagem. As boas obras não são opcionais; elas são a continuação dos versículos citados: um aspecto essencial do propósito para o qual fomos salvos e “criados em Cristo Jesus”. Elas são o testemunho cristão em ação, o testemunho que praticamos e que demonstra de forma visível a verdade da boa nova de Jesus Cristo, que encarnamos em nosso estilo de vida e que proclamamos em palavra. Nossa tarefa não é fazer boas obras para alcançar a salvação, mas sim discernir as boas obras que Deus preparou para que andássemos nelas como expressão do nosso amor por ele e ao próximo.

Fonte: Ultimato

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