O primeiro antes do segundo

Saber colocar em ordem o que fazer, o que esperar, o que conquistar não é nada fácil. Sobretudo quando se leva Deus em consideração. Nem sempre acertamos por causa da nossa cultura, da nossa criação, dos nossos interesses egoístas e da massacrante propaganda de condutas e ofertas que trazem lucro para os outros.

A ordem que geralmente seguimos é invertida. É preciso “desinverter” a ordem errada, que nos distancia cada vez mais do alvo certo e feliz. O primeiro tem de vir antes do segundo, antes do terceiro, antes de tudo.

Primeiro a reconciliação, depois a oferta: “Se você estiver apresentando a oferta diante do altar e ali se lembrar de que seu irmão tem algo contra você, deixe sua oferta ali, diante do altar, e vá primeiro reconciliar-se com seu irmão; depois volte e apresente sua oferta” (Mt 5.23,24).1 Reconciliação significa estabelecer a paz outra vez, seja com o cônjuge, os filhos, os pais, os irmãos, o próximo e até mesmo com o próprio Deus. A oferta é um ato de culto e exige ausência de inimizade, discórdia, facções e inveja, que são obras da carne (Gl 5.19-21).

Primeiro o reino de Deus, depois as necessidades pessoais: “Busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas [o que comer, o que beber, o que vestir] lhes serão acrescentadas” (Mt 6.33). O reino de Deus está sendo estabelecido, está se aproximando, está se ampliando. Mas ainda não chegou o grand finale, quando o reino deste mundo se tornará de nosso Senhor e Ele “reinará para todo o sempre” (Ap 11.15). Ainda é preciso orar: “Venha o teu Reino” (Mt 6.10). Ainda é preciso buscar antes de tudo o seu reino.

Primeiro a viga do próprio olho, depois o cisco do olho alheio: “Por que você repara no cisco que está no olho do seu irmão, e não se dá conta da viga que está em seu próprio olho? Como você pode dizer ao seu irmão: ‘Deixe-me tirar o cisco do seu olho’, quando há uma viga no seu? Hipócrita, tire primeiro a viga do seu olho, e então você verá claramente para tirar o cisco do olho do seu irmão” (Mt 7.3-5). Ninguém tem autoridade para pregar contra o pecado alheio se pratica o mesmo pecado ou outro qualquer.

Primeiro o interior, depois o exterior: “Ai de vocês, mestres da lei e fariseus, hipócritas! Vocês limpam o exterior do copo e do prato, mas por dentro eles estão cheios de ganância e cobiça. Fariseu cego! Limpe primeiro o interior do copo e do prato, para que o exterior também fique limpo” (Mt 23.25,26). A limpeza interior é mais complexa e trabalhosa. Porque “do interior do coração dos homens vêm os maus pensamentos, as imoralidades sexuais, os roubos, os homicídios, os adultérios, as cobiças, as maldades, o engano, a devassidão, a inveja, a calúnia, a arrogância e a insensatez” (Mc 7.21,22). E ainda: “o Senhor não vê como o homem: o homem vê a aparência, mas o Senhor vê o coração” (1 Sm 16.7).

Fonte: Ultimato

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