Cristo, o Senhor da história

No dia 02 de setembro, uma notícia deixou uma grande parte dos brasileiros estarrecidos: o incêndio que aconteceu no Museu Nacional, na cidade do Rio de janeiro e que destruiu a maior parte de seu rico acervo e de suas dependências. Este acontecimento certamente causou comoção entre a população em geral, entre estudiosos, pesquisadores e todos aqueles que reconhecem a importância de um local desse para a história e cultura de nosso país. Como historiadora, carioca e uma frequentadora apaixonada do lugar, confesso que fiquei muito triste em ver a imagem de um dos maiores patrimônios artísticos, históricos, culturais e científicos do mundo ser devorado pelas chamas. Solidarizo-me também, com os professores, pesquisadores, cientistas e toda a equipe que trabalhou e trabalhava nas dependências do Museu Nacional, mesmo enfrentando os dilemas e desafios de funções acadêmicas que não são muito valorizadas no Brasil.

O que aconteceu com o Museu Nacional me fez refletir sobre o valor do passado para nós. Nas páginas da Bíblia Sagrada, existe uma orientação muito interessante que é: “Lembrem-se dos dias do passado; considerem as gerações há muito passadas. Perguntem aos seus pais, e estes lhes contarão, aos seus líderes, e eles lhes explicarão.” – Deuteronômio 32: 7. Moisés estava incentivando o povo a olhar para o passado considerando o agir, a graça e a misericórdia de Deus. Os israelitas estavam prestes a entrar na Terra Prometida, o que poderia fazer com que se esquecessem do passado. Todavia, eles foram avisados que deveriam lembrar-se constantemente do que Deus havia feito por eles: de escravos, o Senhor fez deles um povo livre e prestes a morar numa terra que produzia leite e mel. Com certeza, eles tiveram experiências dolorosas no passado, mas até mesmo tais situações deveriam ser lembradas com o objetivo de aproximá-los de Deus. Seja em meio às vitórias, seja em meio às derrotas, os israelitas foram motivados a olhar para o passado tendo em vista o cuidado do seu Deus Soberano, Senhor e Libertador.

Se formos pensar no nosso próprio passado, cada um de nós vai observá-lo de forma única. Para uns, o passado foi uma experiência tão ruim que preferimos esquecê-lo. Já para outros, o passado foi a melhor fase da vida, deixando alguns de nós presos também numa redoma de nostalgia e saudosismo. Através da Bíblia Sagrada, aprendemos que o passado deve ser encarado não como algo que nos aprisione ou que nos sufoque, mas sim como uma motivação para nos aproximarmos cada vez mais de Cristo, nosso Deus, Senhor e Salvador. Se vivemos maravilhosas experiências no passado, precisamos agradecer a Cristo por seu cuidado, seu favor e sua graça sempre derramados sobre nós. Além disso, devemos estreitar cada vez mais nosso relacionamento com ele, que é o Senhor do nosso passado, presente e  futuro. Todavia, se tivemos experiências terríveis e dolorosas no nosso passado, ou se vivemos afastados de Cristo, tenhamos em mente que Jesus é aquele que nos cura, nos restaura, nos liberta e nos salva. É nele, e somente nele, que podemos viver plenamente.

Por fim, lembrarmo-nos do nosso passado é importante sim, pois dessa forma reconhecemos que fomos libertos da escravidão do pecado para vivermos o presente e o futuro num relacionamento profundo com Cristo. Da mesma forma, é fundamental refletirmos que o propósito de Deus para todos nós é que nosso presente (e nosso futuro consequentemente) sejam dedicados a Jesus Cristo, o Deus que veio em forma de homem e que morreu numa cruz em nosso lugar, para que nossos pecados fossem perdoados. Em Cristo, o nosso passado torna-se instrumento de aprendizado, já o presente consiste numa vida plena e abundante (mesmo em meio às lutas, problemas e adversidades) e, o futuro está alicerçado na fé e esperança de uma vida eterna com o Deus que era, é e há de vir (Ap 1: 8).

Por: Diaconisa Claúdia Duarte

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