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A dislexia não é uma doença. Segundo a ABD (Associação Brasileira de Dislexia), trata-se de um distúrbio de aprendizagem que dificulta especificamente a leitura e a escrita. Por não ser tratada como uma doença, não existe cura para o problema, que é hereditário. A deficiência geralmente só é detectada quando a criança atinge a idade de alfabetização, o que normalmente acontece entre a pré-escola e a 3ª série do ensino fundamental. A fonoaudióloga e coordenadora da ABD, Maria Ângela Nogueira Nico, ressalta que muitos professores não conseguem detectar o distúrbio devido ao desconhecimento de sua existência. Por conseqüência, passam a tratar a criança como deficiente mental, o que é completamente equivocado. "Os disléxicos são pessoas criativas e com inteligência acima do normal e geralmente se tornam artistas ou matemáticos", diz Maria Ângela. Ela explica que o disléxico tem o lado direito do cérebro mais desenvolvido -nesta área há o predomínio da intuição e da sensibilidade. O lado esquerdo, responsável pela linguagem, tem menor predominância. Essa diferença faz com que os portadores tenham dificuldade em codificar palavras simples, como casa, escrevendo-a de várias maneiras, como de trás para frente ou com z em vez de s. Muitas vezes também eles trocam fonemas semelhantes, como o b pelo p, ou f por v, ou letras visualmente parecidas, como o q por p, d por b ou m por n. A dificuldade em distinguir a direita da esquerda também é outra característica predominante. Além disso, a memória dos disléxicos é bastante limitada. Segundo a fonoaudióloga, no segundo parágrafo de um texto o disléxico já esqueceu o primeiro. Ele também tem dificuldade em decorar tabuadas, datas e outros idiomas. Maria Ângela diz que há casos em que o portador esquece datas de aniversário e até de seu próprio casamento. "É preciso ser muito detalhista quando se conversa com um disléxico", diz Maria Ângela. Ela exemplifica que, ao pedir algo, como trocar uma lâmpada, é preciso dizer a ele: "por favor, você poderia trocar a lâmpada?". Se a frase for dita: "pois é, a lâmpada queimou", o disléxico, por ter um funcionamento diferente do cérebro, vai registrar a informação, mas não vai entender que a pessoa está querendo que ele troque a lâmpada queimada. A fonoaudióloga ressalta que os professores precisam respeitar o tempo de aprendizagem do disléxico e estimular suas aptidões para outras áreas, como a artística ou matemática. Da mesma forma, os pais têm papel importante no desenvolvimento do portador. "Não se deve deixar que a criança adquira um complexo de inferioridade que pode perseguí-la pelo resto da vida", afirma a fonoaudióloga. Por Marta Cavallini do Agora São Paulo.
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